João & Maria na visão de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti

Por Fernanda Sarate

 O escritor britânico Neil Gaiman e o ilustrador italiano Lorenzo Mattotti recriam um dos contos de fadas mais conhecidos e adorados: João e Maria. Em uma versão com ilustrações sombrias e narrativa delicada, tópicos como o abandono, a guerra, a fome e o canibalismo são tratados com maestria pela dupla.

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Primeiramente, vamos conhecer um pouco mais sobre a dupla?

Neil Gaiman

Neil Gaiman é um escritor britânico, famoso por obras como Sandman, Stardust, Deuses Americanos, entre tantas outras. Já escreveu roteiros para a Marvel, DC Comics e diversas séries de TV, como Doctor Who. Gaiman é casado com a artista Amanda Palmer. Ah, um atributo muito importante: ele é, ainda, um dos meus escritores preferidos! 😉

Lorenzo Mattotti

Lorenzo Mattoti é um artista gráfico italiano. Formado em arquitetura, decidiu desde cedo trabalhar na indústria de quadrinhos e com ilustração. Como ilustrador, já teve trabalhos publicados em revistas conceitudas de diversos segmentos. Recebeu o Eisner Award em 2003 pela graphic novel Dr. Jeckyll & Mr. Hyde.

Sinopse

O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Em um texto poético, Gaiman revive a tradição dos contos de fada, dando profundidade à aventura dos irmãos, mas sem abandonar a autenticidade e o talento único de mesclar realismo e fantasia que o transformaram em um dos maiores autores de sua geração. Mattotti, por sua vez, dá um ar inteiramente novo ao clássico. Seus traços criam um jogo de luz e sombra, permitindo que o leitor desvende aos poucos a imagem, assim como os segredos da história de João e Maria.
(Fonte: Editora Intrínseca.)

Nossa avaliação

Conforme o filósofo Walter Benjamin, contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo. E Gaiman mostrou-se um ótimo adaptador recontando esse clássico já tão conhecido. É importante dizer que o escritor preservou bastante do conto imortalizado pelos irmãos Grimm, não há grandes alterações. Entretanto, a cada parágrafo é possível observar o humor e a sagacidade característicos de Gaiman.

Assim como o conto original, essa pode ser uma história sombria. Há quem considere sombria demais para o público infantojuvenil. Gaiman defende que é importante o público mais jovem ter contato com histórias assim: “Eu acho que se você é sempre protegido das coisas sombrias você não tem como se proteger, conhecer ou compreender as coisas obscuras quando elas aparecem. Eu acho que é realmente importante mostrar o sombrio para as crianças e, nesse processo, mostrar também que essas coisas podem ser derrotadas, que você tem o poder. Diga-lhes que você pode lutar. Diga-lhes que você pode ganhar. Porque você pode, mas você tem que saber isso”, afirma. A opinião do escritor vai ao encontro do que afirma o psicólogo Bruno Bettelheim, que contribuiu para o entendimento da importância dos contos de fadas para o desenvolvimento emocional das crianças. Conforme Bettelheim, as boas histórias para esse público são aquelas que, enquanto divertem, oferecem esclarecimentos sobre elas mesmas, favorecendo o desenvolvimento de suas personalidades. Assim, o conto de fadas dá a certeza de que os problemas existem, mas mostram que eles podem ser resolvidos. Embora contem com elementos mágicos, os problemas que desencadeiam as tramas são reais. É o caso de João e Maria, que aborda temas como o abandono, a guerra, a fome e até mesmo o canibalismo.

Ilustração de Lorenzo Mattotti

Ilustração de Lorenzo Mattotti

As ilustrações são densas e profundadas, a edição é caprichadíssima, com capa dura e papel especial. Uma curiosidade: Lorenzo Mattotti criou as ilustrações em 2007, para uma exposição comemorativa de João e Maria. Neil Gaiman baseou-se, então, nessas imagens para criar os textos do livro.

O texto de Gaiman é fluido, criativo, sarcástico e bem-humorado. O escritor tem um talento especial para falar com delicadeza sobre qualquer tema. O livro possui apenas 56 páginas, mas oferece uma opção completa de imersão no universo da história e de entretenimento para pessoas de todas as idades.

Livro: João & Maria
Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Lorenzo Mattotti
Tradutor: Augusto Calil
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 56

Classificação:

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Neil Gaiman + conto de fadas + ilustrador mega talentoso + edição linda da Intrínseca = Legen – wait for it – dary!

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Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, de Douglas Adams

Por Fernanda Sarate

“Um colossal épico cômico musical romântico policial de horror sobre viagens no tempo, fantasmas e detetives.” – O autor.

Antes de prosseguirmos número 1:

é importante dizer: sou fã do Douglas Adams, então saiba que este não é um post imparcial. 🙂

Antes de prosseguirmos número 2:

Um pouco sobre Douglas Adams

Douglas Adams, escritor inglês, nascido em 1952, é mundialmente conhecido por sua série O Mochileiro das Galáxias. Além disso, ele escreveu esquetes para o Monty Python’s Flying Circus e episódios para a série Doctor Who (da qual também foi editor de roteiros). Adams  escreveu um dicionário de palavras inventadas, The Meaning of Liff e participou da produção de games como Bureaucracy e Starship Titanic. Em 25 de Maio comemora-se o Dia da Toalha, ou Dia do Orgulho Nerd, também em homenagem ao Mochileiro das Galáxias e a seu autor. Neil Gaiman (sim, Neil Gaiman!) escreveu um livro sobre Adams e sua obra, Não Entre Em Pânico: Douglas Adams & O Guia Do Mochileiro Das Galáxia.

Agora que você já sabe um pouquinho sobre o porque ele é incrível, podemos seguir. 🙂

O livro

Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently foi originalmente publicado em 1987, seguido por The Long Dark Tea-Time of the Soul, sua sequência, em 1988. Conforme o próprio autor, o livro é um “colossal épico cômico musical romântico policial de horror sobre viagens no tempo, fantasmas e detetives”. #DouglasAdamsSendoDouglasAdams 🙂

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No livro, lançado neste ano pela Editora Arqueiro, Richard MacDuff, um engenheiro de computação perfeitamente normal (exceto, talvez, pelo fato de ter um sofá preso no meio do lance de escadas que leva a seu apartamento) deixa uma mensagem na secretária eletrônica de sua namorada, Susan, da qual arrepende-se logo em seguida. Assim, ele toma a decisão mais sensata e natural possível: escalar o prédio de Susan para invadir o seu apartamento e roubar a fita com a gravação.

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