Toda luz que não podemos ver

Por Fernanda Sarate

Toda luz que não podemos ver é um romance sensível que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Vencedor do prêmio Pulitzer de ficção de 2015, é uma leitura tocante sobre esperança, livre-arbítrio, generosidade e os horrores da guerra.

Sinopse

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

(Fonte: Editora Intrínseca)

toda_luz_que_nao_podemos_ver

Nossa avaliação

Continuar lendo

Anúncios

João & Maria na visão de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti

Por Fernanda Sarate

 O escritor britânico Neil Gaiman e o ilustrador italiano Lorenzo Mattotti recriam um dos contos de fadas mais conhecidos e adorados: João e Maria. Em uma versão com ilustrações sombrias e narrativa delicada, tópicos como o abandono, a guerra, a fome e o canibalismo são tratados com maestria pela dupla.

joaoemaria_neil_gaiman

 

Primeiramente, vamos conhecer um pouco mais sobre a dupla?

Neil Gaiman

Neil Gaiman é um escritor britânico, famoso por obras como Sandman, Stardust, Deuses Americanos, entre tantas outras. Já escreveu roteiros para a Marvel, DC Comics e diversas séries de TV, como Doctor Who. Gaiman é casado com a artista Amanda Palmer. Ah, um atributo muito importante: ele é, ainda, um dos meus escritores preferidos! 😉

Lorenzo Mattotti

Lorenzo Mattoti é um artista gráfico italiano. Formado em arquitetura, decidiu desde cedo trabalhar na indústria de quadrinhos e com ilustração. Como ilustrador, já teve trabalhos publicados em revistas conceitudas de diversos segmentos. Recebeu o Eisner Award em 2003 pela graphic novel Dr. Jeckyll & Mr. Hyde.

Sinopse

O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Em um texto poético, Gaiman revive a tradição dos contos de fada, dando profundidade à aventura dos irmãos, mas sem abandonar a autenticidade e o talento único de mesclar realismo e fantasia que o transformaram em um dos maiores autores de sua geração. Mattotti, por sua vez, dá um ar inteiramente novo ao clássico. Seus traços criam um jogo de luz e sombra, permitindo que o leitor desvende aos poucos a imagem, assim como os segredos da história de João e Maria.
(Fonte: Editora Intrínseca.)

Nossa avaliação

Conforme o filósofo Walter Benjamin, contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo. E Gaiman mostrou-se um ótimo adaptador recontando esse clássico já tão conhecido. É importante dizer que o escritor preservou bastante do conto imortalizado pelos irmãos Grimm, não há grandes alterações. Entretanto, a cada parágrafo é possível observar o humor e a sagacidade característicos de Gaiman.

Assim como o conto original, essa pode ser uma história sombria. Há quem considere sombria demais para o público infantojuvenil. Gaiman defende que é importante o público mais jovem ter contato com histórias assim: “Eu acho que se você é sempre protegido das coisas sombrias você não tem como se proteger, conhecer ou compreender as coisas obscuras quando elas aparecem. Eu acho que é realmente importante mostrar o sombrio para as crianças e, nesse processo, mostrar também que essas coisas podem ser derrotadas, que você tem o poder. Diga-lhes que você pode lutar. Diga-lhes que você pode ganhar. Porque você pode, mas você tem que saber isso”, afirma. A opinião do escritor vai ao encontro do que afirma o psicólogo Bruno Bettelheim, que contribuiu para o entendimento da importância dos contos de fadas para o desenvolvimento emocional das crianças. Conforme Bettelheim, as boas histórias para esse público são aquelas que, enquanto divertem, oferecem esclarecimentos sobre elas mesmas, favorecendo o desenvolvimento de suas personalidades. Assim, o conto de fadas dá a certeza de que os problemas existem, mas mostram que eles podem ser resolvidos. Embora contem com elementos mágicos, os problemas que desencadeiam as tramas são reais. É o caso de João e Maria, que aborda temas como o abandono, a guerra, a fome e até mesmo o canibalismo.

Ilustração de Lorenzo Mattotti

Ilustração de Lorenzo Mattotti

As ilustrações são densas e profundadas, a edição é caprichadíssima, com capa dura e papel especial. Uma curiosidade: Lorenzo Mattotti criou as ilustrações em 2007, para uma exposição comemorativa de João e Maria. Neil Gaiman baseou-se, então, nessas imagens para criar os textos do livro.

O texto de Gaiman é fluido, criativo, sarcástico e bem-humorado. O escritor tem um talento especial para falar com delicadeza sobre qualquer tema. O livro possui apenas 56 páginas, mas oferece uma opção completa de imersão no universo da história e de entretenimento para pessoas de todas as idades.

Livro: João & Maria
Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Lorenzo Mattotti
Tradutor: Augusto Calil
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 56

Classificação:

barney_stinson_final

 

Neil Gaiman + conto de fadas + ilustrador mega talentoso + edição linda da Intrínseca = Legen – wait for it – dary!

Livro A febre, de Megan Abbott

Por Fernanda Sarate

Baseado em fatos reais, o livro A febre tem sido apontado como o sucessor de Garota exemplar. Suspense, melancolia, histeria, vulnerabilidade, força e frivolidade da adolescência são alguns dos temperos utilizados na narrativa de Megan Abbott. Saiba mais sobre os fatos reais que deram origem ao livro que será adaptado para série de TV em nossa nova resenha!

a_febre

Sinopse

Na Escola Secundária de Dryden, Deenie e Lise são amigas inseparáveis. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir.

Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Teriam a ver com o lago contaminado? Ou seria o início de algo muito pior?

Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa
(Fonte: Editora Intrínseca)

Baseado em fatos reais

A autora Megan Abbott baseou a criação de A febre em fatos reais. Em 2012, um surto ocorrido em uma cidade pequena dos EUA (Le Roy) atingiu um grupo de estudantes de uma mesma escola, que passou a apresentar tiques nervosos, desmaios e convulsões. As garotas começaram a postar vídeos nas mídias sociais e chamaram a atenção da mídia. Segundo médicos que avaliaram o caso, esse conteúdo divulgado pela internet pode ter sido uma das principais causas para que o surto tenha se alastrado velozmente. Esses médicos alegaram que as pessoas ficavam muito impressionadas ao assistirem aos vídeos e que, algumas que apresentavam vulnerabilidade, passaram, então, a apresentar os mesmos sintomas, caracterizando um caso de histeria coletiva, fenômeno que atinge de tempos em tempos pessoas com maior vulnerabilidade a distúrbios de ansiedade e de estresse (veja aqui outros casos semelhantes).

O caso chamou a atenção de Megan Abbott que, depois de assistir a entrevistas com as jovens e seus pais, começou a escrever A febre. Megan estava em busca de uma história que, de alguma forma, tivesse conexão com a peça As Bruxas de Salém, e quando soube do surto em Le Roy, percebeu que encontrara essa conexão. Mas, atenção: apesar da premissa do livro ser baseada nesses fatos, A febre possui trama e desfecho próprios.

No vídeo, uma entrevista com duas das garotas atingidas pelo surto.

A série de TV

Os direitos de adaptação de A febre foram comprados pela MTV, que trabalha no desenvolvimento de uma série baseada no livro em parceria com a produtora de Sarah Jessica Parker. A autora do livro, Megan Abbott, está trabalhando no roteiro ao lado de Karen Rosenfelt, responsável pela adaptação de outros livros para o cinema (Crepúsculo, O Diabo Veste Prada, A Menina que Roubava Livros, entre outros). A série ainda não tem previsão de estreia.

Livro: A febre
Autor: Megan Abbott
Tradutora: Cássia Zanon
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 268

Classificação:

zumbi_avaliacao

 

A premissa que deu origem ao livro é bastante interessante e intrigante. Entretanto, talvez por já tê-la em mente, o desfecho não seja assim tão surpreendente. Diferentemente de Garota Exemplar e outros livros do gênero, o suspense é mais dosado e está mais presente no final da narrativa. Em alguns momentos, a leitura é desestimulante, o ritmo, por vezes, é mais arrastado, entretanto, há recompensas para quem for até o final. Há personagens cativantes e bem desenvolvidas, mistérios, revelações. Dá vontade de conhecer outras obras de Megan Abott, quem sabe com a adaptação de A febre para a TV novos lançamentos não sejam feitos no Brasil.

Caixa de pássaros: um livro sobre o medo

Por Fernanda Sarate

O livro de estreia de Josh Malerman é um thriller tenso sobre a essência do medo.

A trama

Malorie é a protagonista do livro, conhecemos seu enredo por meio dos olhos (já, já, você vai entender o tachado) da perspectiva de Malorie . A narrativa intercala capítulos sobre o passado e o presente, porém, em ordem cronológica, tudo inicia com boatos nas mídias sociais, que logo viralizam, sobre algo que está fazendo com que pessoas, de diversas partes do mundo, suicidem-se e ataquem quem estiver por perto de forma violenta. Logo surgem teorias que afirmam que as mortes acontecem após as vítimas verem algo. Só não se sabe bem o quê. Malorie, de início, mostra-se cética quando vizinhos começam a cobrir suas janelas e a andar de olhos fechados na rua. Porém, quando Malorie perde alguém, ela começa a acreditar. E a temer. Não apenas por sua vida: ela acabou de confirmar que está grávida.

livro_caixa_de_passaros

Ela havia visto em um jornal um anúncio de algum benfeitor que oferecia uma “casa segura” e que estaria aceitando novos hóspedes. Malorie, aqui, já acredita que  o mal ocorre por meio da visão de algo perturbador demais que faz com que as pessoas enlouqueçam, então ela não abre os olhos durante o percurso que, embora curto, torna-se muito perigoso.

Continuar lendo

Silo: primeiro volume de uma trilogia intrigante

Por Fernanda Sarate

Silo é um dos novos livros com elementos de distopia e de ficção científica mais empolgantes e intrigantes que li. É o primeiro volume de uma trilogia escrita por Hugh Howey e já tem seus direitos de adaptação vendidos para o cinema.

O início: como o livro surgiu

Hugh Howey levou três anos para concluir o livro, enquanto trabalhava em uma livraria. Seu primeiro passo foi publicar a série no formato de contos em e-book, (nove, no total) , por 99 centavos cada um na Amazon. Rapidamente, foi conquistando os leitores, tornando-se best-seller da Amazon, chegando a vender 10 mil cópias mensais. Com isso, várias editoras fizeram contato com o autor, que recusava as propostas, pois não gostaria de perder os lucros obtidos por meio da autopublicação. Até que, enfim, fechou contrato com a editora Simon & Schuster, que apenas publicaria seus livros impressos, permitindo que Howey permanecesse com a venda dos livros digitais.

livro_silo

Sinopse

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Continuar lendo