Dois filmes do Fantaspoa: Apagados e Prisioneiro X

Por Fernanda Sarate

O Fantaspoa, festival de cinema fantástico que ocorre em Porto Alegre, é uma ótima oportunidade para conhecer filmes inéditos e diferentes. Conto aqui sobre dois filmes que vi neste ano: Apagados e Prisioneiro X.

Filmes que flertam com o fantástico sempre me atraíram. Então, podem imaginar como um festival dedicado apenas a filmes de ficção científica, horror, fantasia mostra-se um prato cheio. Sobretudo, porque boa parte dos filmes é inédita e, ainda, muitos deles podem ser vistos em sessões comentadas com seus respectivos diretores ou outros membros da equipe de produção. Estou falando sobre o Fantaspoa, festival de cinema fantástico que ocorre desde 2005 em Porto Alegre.

Neste ano, até o momento, assisti a dois filmes com premissas interessantíssimas (no ano passado, nossa equipe fez um curso sobre efeitos especiais no cinema independente, veja aqui como foi). Continue lendo e saiba mais sobre Apagados (Embers) e Prisioneiro X (Prisoner X).

cartaz filmes Apagados e Prisioneiro X

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Cinco filmes imperdíveis com Ricardo Darín

Por Fernanda Sarate

Nos últimos anos, o nome deste ator argentino foi bastante citado em qualquer lista de artistas a se prestar atenção. O fato é que Ricardo Darín é considerado a personalidade mais importante do entretenimento argentino da última década. Saiba mais sobre o ator e confira alguns de seus filmes imperdíveis!

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Quem é Ricardo Darín

Darín nasceu em 1957 em Buenos Aires. Sua família tinha envolvimento com o mundo artístico e já aos 10 anos o menino estreiou no teatro argentino. Com 16 anos iniciou suas participações na TV. Na década de 1980 fez parte de um grupo de atores que levou sucessos da televisão para o teatro.

Por algum tempo, intercalou trabalhos na TV e no teatro. Sua estreia no cinema foi em produções voltadas ao público juvenil. Seu salto na sétima arte ocorreu mesmo ao participar do filme Nueve Reinas (Nove Rainhas), interpretando um ladrão que está prestes a dar o golpe de sua vida. Mais tarde protagonizou El Hijo de la Novia (O Filho da Noiva), filme que obteve grande sucesso de crítica e de público em diversos países, tendo sido indicado ao Oscar, na categoria de filmes estrangeiros.

A partir daí Darín participou de diversos filmes, obtendo grande reconhecimento. Como destaque, sua participação sob a direção de Juan José Campanella em El Secreto de sus Ojos (O Segredo dos seus Olhos), que foi premiado no Oscar como melhor filme estrangeiro de 2010.

No decorrer de sua carreira, o ator ganhou mais de 20 prêmios e, em 2015, Ricardo Darín dividiu com Javier Cámara o prêmio de melhor ator na 63ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

Cinco filmes imperdíveis com Ricardo Darín

5. Nueve Reinas (Nove Rainhas)

Lançado em 2000, com direção de Fabián Bielinsky, o filme ganhou 21 premiações.
Marcos (Darín) e Juan (Gáston Pauls) são dois vigaristas que estão prestes a aplicarem o golpe de suas vidas. Eles se conhecerem em meio a um golpe aplicado por Juan, Marcos ajuda o jovem a aperfeiçoar a sua técnica para que eles consigam ter êxito em uma negociação milionária envolvendo um conjunto de selos falsificados conhecido como “Nove Rainhas”. O filme vai apresentando diversas reviravoltas, inclusive em seu final.

4. El Hijo de la Novia (O Filho da Noiva)

Lançado em 2002, com direção de Juan José Campanella, foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Na trama, Darín é Rafael Belvedere, homem em crise, que gerencia o restaurante do pai. Sua mãe, com quem não tem tanto contato, começa a apresentar os primeiros sinais do Mal de Alzeheimer. O pai de Rafael propõe, então, um novo casamento com sua esposa, na igreja, para reforçar os votos feitos muitos anos atrás, levando Rafael, o filho da noiva, a rever seus valores e a repensar sua própria vida. O filme é delicadíssimo e conta com excelentes interpretações.

3. Un Cuento Chino (Um Conto Chinês)

Filme de 2011, com direção de Sebástian Borensztein, ganhou o prêmio de melhor filme do Festival de Cinema de Roma e do Prêmio Goya desse mesmo ano. Roberto (Ricardo Darín) é um veterano da Guerra das Malvinas, rabugento e reservado, vive atrás do balcão de uma pequena loja de ferragens e tem como passatempo colecionar notícias de jornal inusitadas. Entretanto, a calmaria de sua vida é interrompida quando ele vê o chinês Jun (Ignacio Huang) ser jogado de um táxi e decide ajudá-lo. Jun está na Argentina para encontrar seu único familiar ainda vivo, entretanto, ele não fala uma palavra em espanhol e Roberto não entende chinês. O roteiro e as atuações são extremanente cativantes e envolventes. O inusitado também está muito presente, sobretudo nas cenas que mostram algumas notícias (reais) colecionadas por Roberto, como a da cena inicial que mostra um jovem casal trocando alianças de noivado, quando simplesmente uma vaca cai do céu (isso realmente aconteceu!).

2. Relatos Salvajes (Relatos Selvagens)

Lançado em 2014, com direção de Damián Szifron e produção de Pedro Almodóvar, o filme obteve grande sucesso dentro e fora da Argentina, sendo indicado, em 2015, ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
O filme é composto de pequenas histórias regadas à humor negro e ironia que mostram algumas situações de fúria do cotidiano de seus protagonistas, questionando sobre o que é capaz de nos levar a perder o controle – e até onde somos capazes de chegar.

1. El Secreto de sus Ojos (O Segredo dos seus Olhos)

Um de meus filmes preferidos no mundo! 🙂 Filme de 2009, dirigido por Juan José Campanella, é baseado no livro La Pregunta de sus Ojos e recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) recentemente se aposentou do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal e decide se dedicar a escrever um livro. Benjamin busca em sua experiência motivações para contar uma história trágica, da qual foi testemunha em 1974. Na época, seu departamento foi designado para investigar o estupro e assassinato de uma jovem. É a partir dessa situação trágica que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da jovem, a quem promete ajudar a encontrar o culpado, objetivo que ele não medirá esforços para alcançar com a ajuda de seu amigo e colega Pablo Sandoval (Guillermo Francella) e de Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe, por quem ele é apaixonado.

A partir disso, forma-se um grande quebra-cabeças psicológico, à medida que Benjamin vai descobrindo detalhes e envolvendo-se com esse crime. A trama é desenvolvida de forma magistral e conta com diversas reviravoltas que não vou dar spoiler aqui.
É comum ver O Segredo dos seus Olhos nas listas de melhores filmes da história recente do cinema. Saiba que não é à toa.

O cinema argentino conta com excelentes produções recentes e preciso dizer que, até então, não assisti a nenhum filme com o Ricardo Darín que não valha a pena – isso, talvez, porque o ator também é bastante criterioso com a escolha das produções que se envolverá. Dica: vários dos filmes indicados aqui estão disponíveis no Netflix! 😉

Você tem mais alguma indicação? Compartilhe nos comentários!

 

Prepare-se para o lançamento do filme A 5ª Onda

Por Fernanda Sarate

O filme A 5ª Onda, baseado em livro homônimo, estreia no Brasil dia 21 de janeiro. Apontado como uma das melhores distopias dos últimos anos, o livro figura em conceituadas listas de mais vendidos (inclusive na do The New York Times). Saiba mais sobre A 5ª Onda e prepare-se para o lançamento do filme!

Sinopse

A Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas.
Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos.
Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz) precisa proteger seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.

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Trailer do filme

Algumas curiosidades

– Tobey Maguire, Graham King e Tim Headington adquiriram os direitos de adaptação para o cinema em março de 2012, mais de um ano antes do lançamento do livro!

– As filmagens começaram oficialmente no dia 17 de outubro de 2014 e terminaram no dia 17 de janeiro de 2015.

– A atriz Chloe Grace Moretz que interpretou a protagonista de A 5ª Onda também atuou no filme Se Eu Ficar.

– O autor do livro, Rick Yancey, já escreveu vários livros. Entretanto, apenas apenas as séries The 5th Wave, The Monstrumologist e o livro The Extraordinary Adventures of Alfred Kropp ganharam edições brasileiras. Os três primeiros livros da série O Monstrologista foram publicados pela editora Farol Literário, enquanto o livro As Extraordinárias Aventuras de Alfred Kropp, pela editora Objetiva. O livro A 5ª Onda foi publicado pela editora Fundamento, que lançará toda a trilogia no Brasil.

Ficha técnica

Título original: The 5th Wave
Título brasileiro: A 5ª Onda
Data de lançamento (Brasil): 21/01/2016
Gênero: Aventura; Ficção científica; Thriller
Duração: 112 min
Diretor: J Blakeson
Roteiro: Susannah Grant, Akiva Goldsman & Jeff Pinkner
Produtores: Graham King, Tobey Maguire, Matthew Plouffe e Lynn Harris
Classificação (Brasil): 12 anos
Elenco: Chloë Grace Moretz (Cassie Sullivan), Nick Robinson (Ben Parish), Alex Roe (Evan Walker), Maika Monroe (Especialista), Liev Schreiber (Coronel Vosch), Maria Bello (Reznik), Ron Livingston (Oliver Sullivan), Maggie Siff (Lisa Sullivan), Zackary Arthur (Sammy Sullivan), Talitha Bateman (Teacup), Tony Revolori (Dumbo), Nadji Jeter (Pão de Ló), Alex MacNicoll (Flintstone), Flynn McHugh (Tank), Cade Canon Ball (Oompa), Terry Serpico (Hutchfield), Michael Beasley (Major Bob), Gabriela Lopez (Lizbeth), Derek Roberts (Soldado Parker) e Matthew Zuk (Soldado do Crucifixo).

E então, preparados para A 5ª Onda?

 

Jessica Jones: destaques da primeira temporada

Por Fernanda Sarate

 O ano não poderia terminar sem falarmos sobre Jessica Jones, segunda série originada da parceria entre Netflix e Marvel. Confira alguns dos destaques dessa que já é considerada por muitos a melhor série do Netflix.

 

A heroína

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Em comparação com outros heróis da Marvel, Jessica Jones é uma heroína jovem: apareceu pela primeira vez em 2001, em Alias, série de HQs criada por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos.

Jessica chegou a ter um passado como heroína com codinome e uniforme, mas isso durou pouco tempo e não é abordado na série. E isso acabou contando muito a favor da produção que, no final, não é sobre super-heróis, mas sobre superação, mostrando uma heroína empática e com problemas reais, sobretudo quanto ao abuso físico e mental sofrido por ela, o que abordaremos novamente adiante.

Na série, Jessica (interpretada por Krysten Ritter) é uma investigadora particular de Hell´s Kitchen que possui superforça. Ao contrário do que normalmente se vê, a protagonista tem problemas com álcool, pode ser bastante rude, é antissocial, possui pavio curto e faz escolhas moralmente questionáveis – Jessica não é uma personagem idealizada é alguém com quem podemos nos identificar por ter características do “mundo real”.

A protagonista sofre de estresse pós-traumático em função de seu passado com o vilão dessa primeira temporada, Kilgrave (o Homem Púrpura).

O vilão

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Interpretado magistralmente pelo ex-Doctor Who David Tennant, Kilgrave é um dos grandes destaques da série. Jessica sente-se atormentada o tempo inteiro por ele, que possui o poder de controlar mentes, obrigando as pessoas a fazerem o que ele quiser – por exemplo, ordenar que pessoas parem de respirar, apenas para que ele possa fazer suas refeições com mais tranquilidade.

Kilgrave é charmoso, tem sotaque britânico e predileção por ternos roxos, mas, no fim do dia, é um psicopata disposto a tudo para ter Jessica de volta. Anteriormente, ele controlou Jessica obrigando-a a fazer todas as suas vontades. Entretanto, Jessica conseguiu fugir de seu domínio e Kilgrave fará de tudo para tê-la de volta. Kilgrave, embora tenha um superpoder, é assustador por representar uma realidade muito próxima, sobretudo das mulheres: a do abuso, da obsessão, da tortura física e mental.

Os coadjuvantes

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Todas as personagens da série foram muito bem desenvolvidas, mesmo os coadjuvantes. Temos a amiga de infância Trish Walker (Rachel Taylor), que terá um papel fundamental na luta de Jéssica, a advogada Jeri Hogarth (em uma ótima interpretação de Carrie-Anne Moss), o vizinho viciado que também terá um papel crescente na trama (Malcom, interpretado por Eka Derville) e Luke Cage (Mike Colter) – o amante atormentado que possui corpo inquebrável e que deve ser o próximo herói do universo Marvel a ganhar sua série na Netflix. Todos os coadjuvantes possuem um drama próprio que enriquece a trama. Destaque, sobretudo, à profundidade e força dadas às personagens femininas.

Os detalhes

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A produção da série merece destaque. Além de ótimas atuações e roteiro, detalhes como a fotografia fazem toda a diferença. Preste atenção, por exemplo, à utilização da cor roxa ou púrpura em detalhes como lâmpadas, semáforos, espelhos.

O universo Marvel

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Jessica Jones compartilha o mesmo universo cinematográfico Marvel, assim como a outra série da parceria Netflix/Marvel, Demolidor. Em Jessica Jones, é feita uma preparação para a próxima série dessa parceria, a de Luke Cage. Há diversos easter eggs ao longo dos episódios, com referências ao universo Marvel.

Classificação:

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Jessica Jones certamente é uma das melhores séries de 2015. Apesar de trazer uma heroína, não é uma série essencialmente sobre superheróis. A trama é recheada de suspense e de momentos de dúvida e de superação. Além disso, a série levantou discussões sobre a questão do abuso físico e, sobretudo, psicológico. E para quem tinha dúvidas se uma personagem feminina com tantas característica tidas como indesejáveis ou imperfeitas poderia fazer sucesso, a série deu uma resposta inquestionável: a qualidade não está em um cromossomo e estamos prontos e desejosos, sim, de mais personagens femininas que fujam aos padrões esperados.

E você, o que achou de Jessica Jones? Que pontos você acha que merecem destaque? Compartilhe a sua opinião aqui nos comentários!

O lado bom da vida (livro e filme)

Por Fernanda Sarate

Uma história sobre amor, loucura, esperança e como Kenny G pode afetar a sanidade das pessoas 😛

Primeiro, eu assisti ao filme. Adorei. Agora, tempos depois, com um empurrãozinho do Clube de Leitura da Cultura, eu li o livro. Primeiro lado bom: o livro é ótimo. Segundo lado bom: ainda gosto do filme. Se eles são iguais? Não. Se a adaptação é fiel? Nem  tanto. Mas o lado bom é que dá para gostar tanto do livro quanto do filme; a essência segue, porém com as devidas adaptações de linguagem.

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Sinopse do livro

Pat Peoples (!!) é um ex-professor de história, com pouco mais de 30 anos, que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica, depois de um grande esforço de sua mãe para liberá-lo. A essa instituição ele se refere como “o lugar ruim”, onde todos são negativos e não acreditam em finais felizes.

Acontece que, para Pat, que sofre de transtorno bipolar, ele ficou apenas alguns meses nesse “lugar ruim”, mas, na verdade, foram alguns anos. Algo no passado de Pat, que ele não lembra bem, fez como ele fosse parar lá. Esse algo fez com que ele fosse afastado de sua família e de sua esposa Nikki. Assim, com sua saída da instituição, ele nutre fortíssimas esperanças de que o “tempo separados” termine e que ele possa retomar o seu relacionamento com Nikki.

Em casa, Pat reencontra com um de seus antigos amigos, que o convida para um jantar em sua casa. Lá, ele reencontra Tiffany, cunhada desse seu amigo, que se recupera de um grande trauma, e com quem Pat desenvolverá um relacionamento bem pouco tradicional.

Pat precisa lidar com diversos problemas: seu pai praticamente não fala com ele, ninguém crê que uma reconciliação com Nikki seja possível, seus amigos acreditam que ele amaldiçoou seu time de futebol americano, ele sofre com lapsos de memória e, ainda, por cima, ele é assombrado por Kenny G e seu sax soprano!

O lado bom do livro

A escrita de Matthew Quick é despretensiosa e gostosa de ler. A história é encantadora, as personagens, mesmo as secundárias são bem desenvolvidas, sobretudo a mãe de Pat e seu terapeuta, Cliff. É daqueles livros bons de ler depois de algo mais denso ou quando precisamos renovar o nosso estoque de esperanças.

Sejamos francos: não há nada de inovador, na verdade, o livro conta com alguns clichês. Mas a forma como ele trata essa linha cada vez mais tênue sobre o que é sanidade e o que é loucura e o modo como ele traz a realidade ao absurdo da vida, o torna cativante.

Além disso, Matthew Quick ganha nos detalhes: os títulos dos capítulos são interessantíssimos (“um fogo laranja entra na minha cabeça”, “uma colmeia cheia de abelhas verdes” e “como se ele fosse Yoda e eu fosse Luke Skywalker treinando no sistema Dagobah” são alguns exemplos).

Ao longo do livro, são citadas diversas obras clássicas da literatura. Pat lê esses livros, que ele considera deprimentes, como forma de impressionar Nikki, que leciona literatura. Há quem não tenha gostado dessas citações, sobretudo porque há spoillers importantes sobre os livros. Não gosto de spoillers, mas gosto quando autores contemporâneos citam obras clássicas (John Green faz bastante isso), criando uma nova onda de interesse sobre essas obras.

O lado bom do filme

Sem dar muitos spoillers para não me contradizer (:P), é preciso falar que, obviamente, o filme não é uma cópia fiel do livro, é uma adaptação da linguagem literária para a cinematográfica. A relação de Patt com o pai é abordada no filme de forma diferente, entretanto considero que preservando a essência da relação difícil e frágil (ok, com um pouco mais de açúcar no filme). Alguns fatos do livro não aparecem no filme (adorei o capítulo no qual eles vão para a praia, por exemplo, e isso não é nem mesmo citado na adaptação, o que não impacta negativamente, mas vale a leitura ;)). O significado e as condições que ocorrem o concurso de dança no qual Patt e Tiffany participam, é diferente também. A participação de Danny, amigo que Patt conheceu no “lugar ruim” é aumentada no filme, o que funcionou muito bem, Danny é engraçado, empático e cativante.

Agora, a forma como as obras acabam, não é igual. Gosto dos dois finais, embora, claro, o do cinema seja mais hollywoodiano, com alguns cliclês (isso sem desmerecimento algum) e o final do livro seja mais intimista, “pé no chão” e mais dependente do significado que o leitor quer dar a ele.

Livro: O lado bom da vida
Autor: Matthew Quick
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 254

Classificação:

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A leitura flui muito facilmente, então se nos primeiros capítulos você se sentir cativado pelo enredo, certamente você lerá o livro muito rapidamente. Não é um livro que mudará a história da literatura ocidental, mas que pode nos dar um sopro de esperança e de diversão em tempos difíceis. Eu acho que é uma boa contrapartida, não? 😉

O destino de Shireen Baratheon em Game of Thrones é realmente uma tragédia grega?

Por Fernanda Sarate

Quem assistiu ao episódio A dança dos dragões, da quinta temporada de Game of Thrones, poderia ter descrito o destino de Shireen Baratheon como digno de uma tragédia grega. E, de fato, ele pode ser visto desta maneira. Confira no post a referência feita ao mito grego de Ifigênia.

Todo o fã de Game of Thrones e dos livros Crônicas de Gelo e Fogo sabe: as narrativas oferecem referências a diversas mitologias, como a nórdica, a celta e a grega.

Falar sobre essas referências renderia diversos posts. Assim, vamos falar hoje sobre uma das referências presentes em um dos episódios que mais chocaram os expectadores da série na última temporada: o destino de Shireen Baratheon. É possível relacionar facilmente o episódio ao mito grego de Ifigênia, presente na tragédia Ifigênia em Áulis.

Aviso: este post contém muitos spoilers.

Ifigênia em Áulis

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Na pintura “The Anger of Achilles”, de Jacques-Louis David, vemos Aquiles e Clitemnestra (mãe da jovem) tentando salvar Ifigênia, porém o pai, Agamenon, está irredutível.

 

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Curso Sangue e Cinema: Efeitos Especiais no Cinema Independente

Por Fernanda Sarate

Saiba como foi o curso que fizemos com a equipe do Cinelab e confira algumas dicas de como produzir efeitos criativos tendo baixo orçamento!

Todo o fã da sétima arte já deve ter se questionado ou sentido curiosidade sobre o modo como os efeitos especiais são produzidos. Claro, nas grandes produções com grandes orçamentos, é fácil imaginar que haverá técnicos e técnicas super modernas para que “a mágica aconteça”. Mas, e no cinema independente?

Curso Sangue e Cinema: Efeitos Especiais no Cinema Independente

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Armando Fonseca, Kapel Furman e Raphael Borghi

 

No último final de semana, a nossa equipe sanou um pouco dessa curiosidade, participando do curso Sangue e Cinema: Efeitos Especiais no Cinema Independente, ministrado por Kapel Furman, Armando Fonseca e Raphael Borghi, durante o Fantaspoa. O trio tem bastante experiência com filmes de ação e de terror e com o chamado cinema de guerrilha (cinema independente que propõe linguagens e temáticas inovadoras, normalmente associadas ao gênero fantástico). Além disso, eles comandam o Cinelab, do Universal Channel – programa que mostra como realizar efeitos especiais com poucos recursos e muita criatividade.

No curso, eles deram algumas dicas de como produzir, de modo geral, cinema de forma independente. Kapel, Armando e Raphael foram enfáticos em reforçar que, para produzir de modo independente e com baixo orçamento, o segredo é que toda a equipe seja curinga, que todos tenham, ao menos, uma noção sobre equipamento cinematográfico e que todos os profissionais se ajudem.

Outra dica foi que, embora muitas vezes se tenha ideias incríveis na cabeça, é necessário se desprender do que é impossível, naquele momento ou contexto, de ser executado.

Para produzir filmes com qualquer orçamento, é necessário muito planejamento. O set e as diárias de filmagem são caros, então lá não é lugar de tomar decisões que deveriam ter sido pensadas na pré-produção. Cada vez mais, cinema é eficiência.

Em termos de ferramentas para auxiliar nessa etapa, eles recomendaram o software gratuito CELTX, que atende muito bem às necessidades de formatação de roteiros para filmes, peças de teatro, comerciais, etc. Ele possibilita a organização do trabalho de produção, gerando relatórios de locações, objetos necessários para cada cena, calendário de gravações, ficha de personagens, entre outras funcionalidades.

Ok, mas e os efeitos especiais?

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