Dois filmes do Fantaspoa: Apagados e Prisioneiro X

Por Fernanda Sarate

O Fantaspoa, festival de cinema fantástico que ocorre em Porto Alegre, é uma ótima oportunidade para conhecer filmes inéditos e diferentes. Conto aqui sobre dois filmes que vi neste ano: Apagados e Prisioneiro X.

Filmes que flertam com o fantástico sempre me atraíram. Então, podem imaginar como um festival dedicado apenas a filmes de ficção científica, horror, fantasia mostra-se um prato cheio. Sobretudo, porque boa parte dos filmes é inédita e, ainda, muitos deles podem ser vistos em sessões comentadas com seus respectivos diretores ou outros membros da equipe de produção. Estou falando sobre o Fantaspoa, festival de cinema fantástico que ocorre desde 2005 em Porto Alegre.

Neste ano, até o momento, assisti a dois filmes com premissas interessantíssimas (no ano passado, nossa equipe fez um curso sobre efeitos especiais no cinema independente, veja aqui como foi). Continue lendo e saiba mais sobre Apagados (Embers) e Prisioneiro X (Prisoner X).

cartaz filmes Apagados e Prisioneiro X

Apagados

Apagados (Embers) é uma produção da Polônia e Estados Unidos, realizada em 2015. Neste filme, somos apresentados a um mundo pós-apocalíptico no qual os humanos perderam a capacidade de reter memória, assim que eles dormem ou passam por uma situação muito traumática seu “sistema” reinicia do zero: não sabem quem são, onde estão, nem lembram de ninguém. A narrativa mostra cinco histórias de como pessoas diferentes estão sobrevivendo nesse cenário. Mostra, por exemplo, um recorte da vida de um casal, que acorda junto, entretanto não se reconhece, e que tenta permanecer junto e manter o laço, pois algo os leva a intuir que eles se amam. Também conhecemos uma criança, que busca a companhia de adultos que o acolham. E um jovem que, mesmo sem reter a memória, acorda todos os dias mantendo um traço frequente: o da violência. Isso nos leva a pensar sobre que tipo de característica intrínseca de cada um de nós permaneceria em um cenário como esse. O que nos define, em essência, e que está em nossa natureza, não em nossa memória?

Em outro núcleo, vemos um pai e sua filha, que estão em um bunker, seguros, com suprimentos, abrigo e protegidos contra o vírus. Entretanto, a filha começa a perguntar-se se lá, confinada e sem contato com outras pessoas, ela não é mais prisioneira do que quem vive com o vírus, na rua.

Apesar de, em alguns momentos, o filme deixar a desejar quanto à profundidade, ele é bastante interessante para pensarmos sobre o quanto a memória interfere na construção de laços e relações pessoas e as consequências de se viver em um mundo sem um passado, sem construção diária de novos saberes, no qual as pessoas têm, literalmente, apenas o momento presente.

Ficha técnica (fonte: Fantaspoa)

Direção: Claire Carré
Roteiro: Charles Spano, Claire Carré
Elenco: Jason Ritter, Iva Gocheva, Greta Fernández, Tucker Smallwood, Karl Glusman

Prêmios

Boston Science Fiction Film Festival 2016: Melhor Filme.
New Orleans Film Festival 2015: Melhor Filme.
Other Worlds Austin SciFi Film Festival 2015: Mary Shelley Award.
Other Worlds Austin SciFi Film Festival 2015: Melhor Atriz.
Oxford Film Festival 2015: Melhor Direção.
Oxford Film Festival 2015: Alice Guy-Blaché Award.

Prisioneiro X

Prisioneiro X (Prisoner X) é um filme canadense de ficção científica. Um jovem é encontrado com urânio em Montana e levado para uma prisão de segurança máxima. Lá, depois de ser torturado, ele fornece coordenadas de explosões de Supernova que ocorrerão em um futuro breve. Depois de verificada a veracidade disso, percebe-se que ele não é um terrorista comum. Conclui-se que ele é um viajante do tempo.

O prisioneiro passa a ajudar o governo dos Estados Unidos em sua “guerra contra o terror”, fornecendo informações que fazem com que a nação americana invada, ataque e destrua territórios que seriam foco de terrorismo. Depois da morte misteriosa do agente que mantinha contato direto com o preso, uma nova agente da CIA é designada para o caso e para investigar a morte de seu colega e amigo. A partir disso, as certezas que se tinha até então, inclusive sobre a identidade e objetivos do prisioneiro, são postas em cheque em uma batalha mais psicológica e emocional do que física.

Assisti ao filme em uma sessão comentada com o diretor e roteirista Gaurav Seth, que revelou que baseou-se no conto Truth, de Robert Reed, para a criação do roteiro. Entretanto, boa parte da carga política do filme foi adição do próprio Reed, que ia atualizando o roteiro de acordo com o cenário político atual.

Ficha técnica (fonte: Fantaspoa)

Direção: Gaurav Seth
Roteiro: Gaurav Seth
Elenco: Julian Richings (curiosidade: ator que interpretou Morte em Supernatural), Michelle Nolden, Romano Orzari, Damon Runyan, Nigel Bennett

Prêmios

Fantasporto 2016: Prêmio da Crítica.
WorldFest Houston 2016: Remi Winner.

O Fantaspoa ainda está ocorrendo em Porto Alegre. Veja aqui a programação completa e outras informações sobre o festival.

 

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