Toda luz que não podemos ver

Por Fernanda Sarate

Toda luz que não podemos ver é um romance sensível que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Vencedor do prêmio Pulitzer de ficção de 2015, é uma leitura tocante sobre esperança, livre-arbítrio, generosidade e os horrores da guerra.

Sinopse

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

(Fonte: Editora Intrínseca)

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Nossa avaliação

A princípio, a premissa e o pano de fundo do livro podem parecer meio “batidos” e nos levar a pensar que se trata apenas de mais um romance histórico abordando a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, o que o diferencia de tantos outros não é a história em si, mas a forma sensível como ela é contada.

Em Toda luz que não podemos ver duas histórias que, em determinado momento, se cruzarão. Essa espera é um dos pontos altos do livro e nos leva a elaborar teorias ao longo da leitura. A construção das personagens principais, Marie-Laure e Werner é de uma delicadeza impressionante. Doerr teve o mesmo trabalho cuidadoso com as personagens secundárias, o pai e o tio-avô de Marie são personagens cativantes, assim como outros que passarão pela vida dos protagonistas. Apesar de, no início, ser um pouco difícil entender a estrutura da narrativa e se identificar com as personagens, ao longo da leitura isso ocorre de forma muito natural.

A estrutura da narrativa é um ponto que merece destaque e que, no início, pode dificultar a leitura. O livro, além da divisão dos capítulos, tem uma divisão de 13 partes que ocorrem em diferentes momentos. Assim, começamos conhecendo um fragmento do futuro para, depois, conhecer os fatos do passado que possibilitaram tal acontecimento. É importante estar atento às datas que estão impressas na entrada dessas partes para não se perder na narrativa.

O estilo de escrita de Doerr é objetivo, mas muito sensível e lírico. Os capítulos são curtos, o autor não é prolixo no uso das palavras, mas possui talento para escolhê-las com maestria. Há muita poesia escondida e à mostra ao longo do livro. As descrições, sobretudo as de Marie-Laurie que, por ter perdido a visão, precisa compensar com os demais sentidos, são de muita delicadeza e mesmo sensoriais.

Entretanto, não se engane: a história será dura em diversos momentos. Seja na abordagem da própria guerra, seja no destino de algumas personagens, a questão do livre-arbítrio está bastante presente. Esteja preparado.

Livro: Toda luz que não podemos ver
Autor: Anthony Doerr
Tradutora: Maria Carmelita Dias
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 528

Classificação:

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A leitura é densa, tanto pelo tema quanto pelo tamanho da obra: são mais de 500 páginas. E, para melhor apreciá-la, é preciso tempo. Não é uma obra para ler em “uma sentada”, precisa de dedicação para compreênde-la em todas as suas camadas e deixar-se envolver por ela.

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