Entrevista com a autora e editora Mônica D’Olliveira

Por Fernanda Sarate

Confira a entrevista com  Mônica D’Olliveira, que conta um pouco de sua trajetória e dá dicas para quem quer ser escritor.

Sinopse de Rodopios

Ao longo da vida, registramos para o mundo fragmentos de nossas almas em rabiscos expressivos que algumas vezes se perdem na correria. Mas não somem. Eles pairam sobre nós em suave rodopio.

Rodopios reúne poemas, contos, crônicas e pensamentos, alguns guardados quase escondidos, outros publicados aqui e ali, alguns ainda inéditos.

Fonte: Editora Filhos do Vento.

Recebemos o e-book Rodopios por meio de nossa parceria com a Editora Filhos do Vento. Rodopios traz textos curtos com críticas delicadas sobre nosso ritmo e valores, que podem nos levar à indesejada correria de uma vida vazia.

Convidamos a autora, Mônica D’Olliveira para nos contar mais sobre seu processo criativo, sua obra e para dar dicas para quem quer ser escritor.

Rodopios

Entrevista

1. Conte-nos um pouco de sua trajetória.

Eu sempre amei ler, lia tudo que caia em minhas mãos. Eu acredito que esse foi o primeiro passo em direção ao desejo de escrever, o despertar da imaginação. Com o tempo comecei a imaginar outros caminhos e desfechos para as histórias que lia. E gostava de passar horas sozinha com o pensamento perdido criando e recriando histórias. Só não tinha coragem de colocar no papel e mostrar para quem quer que fosse. Quando era adolescente, comecei a escrever poesias como forma de colocar para fora meus sentimentos. E acabava guardando tudo em cadernos, poucas vezes deixava alguém ler. Eu era bem introspectiva – acho que ainda sou um pouco, só um tiquinho (risos) -, sempre tive muita dificuldade de falar de mim. Só escrevendo que eu conseguia colocar tudo para fora, dizer o que passava na minha mente. Contudo, escrever – como forma de expressão ou como profissão – não era muito bem visto pela minha família. Cresci ouvindo que todas as formas de arte eram “coisa de quem não tinha o que fazer e não queria nada com o trabalho”. Eu sei que é um preconceito tolo e sempre admirei todas as formas de arte, porém as coisas podem parecer mais complicadas quando você não se sente apoiado. Inatingíveis até. Essa falta de incentivo, a cobrança constante e o desagradável hábito de ridicularizarem a “caladona que só ficava lendo e escrevendo”, tudo isso junto alimentou uma certa insegurança em mim. Era jovem e precisava trabalhar, precisava ter estabilidade na vida. Cursei Jornalismo buscando conciliar minha ânsia de escrever com a perspectiva de uma carreira que me atraía. Não me arrependo disso, foi uma escolha muito feliz. Só que depois dos 40, eu me questionei: Ok, eu tenho minha profissão, o respeito das pessoas com quem trabalhei ou estudei, o que me falta? Não foi difícil encontrar minha resposta: para me sentir completa eu queria contar as histórias que imaginava e ia amontoando em rascunhos em uma gaveta. Eu já tinha um blog onde postava poemas e contos, mas sem nenhuma disciplina. Demorou um pouco mais até eu assumir minha decisão: escolhi me dar a oportunidade de fazer aquilo que sempre gostei, que sempre almejei fazer – contar minhas histórias. Peguei a gaveta onde escondia meus rascunhos e comecei a reler todos eles. Rodopios surgiu assim, uma obra de transição, eu diria. Depois que publiquei, me senti encorajada a retomar outras ideias mais ambiciosas. Estou com um romance pronto, revisando, que comecei a compartilhar no Wattpad e outro em andamento. Infelizmente, eu tive que deixar os dois projetos meio que parados na plataforma, por conta da correria de trabalho no final de 2015, mas pretendo reorganizar todo o formato das publicações e voltar a postar. E vou contar uma novidade em primeira mão (risos) decidi usar meu nome de batismo só para quando publicar textos acadêmicos. Akai Ito e Janela Suburbana, que estão no Wattpad, são assinados por Nica Olliver – um antigo apelido e uma contração do meu sobrenome. A escolha tem a ver um pouco com numerologia. E já tenho outras ideias tomando forma para o segundo semestre de 2016, mas prefiro primeiro concluir o que está em andamento antes de passar para a próxima.

2. Como foi a experiência de criação e publicação de Rodopios?

Foi bastante interessante, porque Rodopios tem um caminho reverso, diferente do habitual. Eu já estava determinada a concluir um dos romances que residia na tal gaveta-esconderijo. Então fui me aprofundar nos melhores caminhos dentro do mercado editorial, para quando eu conseguisse concluir algo. E acabei percebendo uma realidade que não me agradava. Passei até por algumas experiências desagradáveis, como descobrir um livro meu – acadêmico – sendo comercializado em formato digital no exterior sem o meu conhecimento. Foi quando decidi montar meu próprio selo editorial, e para obter o registro de editor junto ao escritório que emite o ISBN eu precisava cadastrar uma obra inédita. Eu pensei em aguardar mais um pouco, porém meu marido me incentivou a apresentar como obra essa pequena antologia. Ele inclusive me ajudou a selecionar os textos. Para você ver como apoio é fundamental (risos). Então o conteúdo de Rodopios não foi criado pensando em se tornar um livro, são fragmentos de mim, que retratam sentimentos e humores em diversos momentos de minha vida. Existem poemas ali que ficaram quase 20 anos escondidos e alguns que acabei escrevendo especialmente para essa ocasião, após decidir realmente fazer a publicação.

3. Qual foi a sua inspiração para começar a escrever poesia?

Meu primeiro contato com poesia foi através dos exercícios escolares. Não era o tipo de livro que se encontraria na minha casa. E acho que, como a maioria das pessoas, tive uma dificuldade inicial com um formato de texto que precisa ser interpretado antes de poder ser imaginado. Em algum momento começamos a receber poemas de Carlos Drummond, Mário Quintana e Fernando Pessoa. Foi quando meu interesse foi completamente capturado. Passei a revirar a biblioteca em busca de mais títulos e autores. Foi assim que conheci os poemas de Cecília Meireles, Castro Alves, Mário de Andrade, Casimiro de Abreu, Malba Tahan  e tantos outros que conquistaram minha admiração e respeito.

4. Quais são os seus autores/livros de cabeceira?

Sou bastante eclética… e compulsiva , o tipo de pessoa que não pode ficar solta em uma livraria sem supervisão (risos). Tudo me atrai: capas bem feitas, sinopses envolventes, títulos sugestivos. Por isso minha cabeceira sempre tem uma pequena pilha de livros, que funciona como uma fila. Gosto de clássicos e contemporâneos, de romances nacionais e estrangeiros (especialmente os que nos levam a viajar em outras culturas), de suspense e terror, ficção em geral, leio de tudo um pouco. Atualmente estou lendo O Sol Poente de Lobsang Rampa e O Coronel e o Lobisomem de José Cândido de Carvalho. Recentemente terminei de ler dois livros que recomendo: A Hospedeira, de Stephenie Meyer, e Preciosa, de Letícia Black, esse último estava disponível na plataforma do Wattpad , não sei se já foi publicado mas quando for vou querer o meu (risos).

5. Como você percebe o mercado editorial atual no Brasil?

Quanto a isso, posso falar com a experiência de quem conhece dois aspectos desse empreendimento. Como editora que também é autora, comecei meu trabalho buscando criar uma metodologia que fosse autossustentável, oferecendo relações mais justas e transparentes aos autores. Foi quando esbarrei no maior dificultador desse ideal: a distribuição. Esse setor fica em média com 60 a 70% do valor de capa de um livro. E quando tentamos procurar as livrarias diretamente para fazer a distribuição, muitas delas nos propuseram a mesma relação, ou seja, o problema persistia. Como manter um bom percentual de retorno para o autor, e cobrir todos os custos operacionais e de produção, se a maior parte do valor do livro fica retida nesse gargalo? Dentro dessa realidade, percebi as razões que levam muitas editoras a cobrarem os serviços de editoração dos autores. Ainda acho que alguns valores que já encontrei no mercado são muito altos. Acredito ser possível que as editoras olhem para os autores como parceiros na solução desse entrave, e mesmo dividindo com eles alguns custos de produção, creio ser possível criar mecanismos para fugir desse círculo vicioso. Pensar em possibilidades de solução é algo que ocupa grande parte de minhas reflexões, contudo ainda não tenho uma resposta realmente eficiente sobre como fechar essa equação de forma justa.
Já falando como autora, venho percebendo uma disparidade, o fechamento de livrarias físicas de renome – o que poderia sugerir um mercado recessivo – e o aumento significativo no número de títulos, especialmente quando olhamos para o mercado digital. As plataformas de compartilhamento, as redes sociais, lojas virtuais como Amazon – que aceita negociar direto com o autor, todos esses recursos propiciam aos autores se tornarem gestores de sua própria obra e imagem. Algumas iniciativas ainda são tímidas, buscando os espaços alternativos como um meio de chegar ao tradicional, e não explorando todo o potencial desses novos espaços interativos. Acho que não devemos olhar o livro digital como um atalho, um subproduto, e sim lhe conferir o devido valor de obra em outro suporte. Acredito que gradualmente o mercado virtual vai se estabelecer como parte significativa do cenário editorial brasileiro.

6. Que conselhos você daria para quem quer ser escritor? Por onde começar?

Em primeiro lugar, acho que a pessoa deve se perguntar: o que me motiva a ser escritor? Se a resposta for para ser rico e famoso, repense. As coisas não serão tão fáceis e isso pode gerar uma grande frustração. Agora, se a resposta for “contar as histórias que imagino me motiva e me completa”, siga em frente. Crie seu método de trabalho e trate sua obra com zelo. Reserve um tempo todos os dias para escrever. Só não se prenda em ajustes intermináveis na tentativa de alinhar com o formato de escrita de outros autores. Se está escrito corretamente – sem erros no uso da língua – mostre-a. Você é único e sua obra também. Não desanime com as dificuldades, todas as carreiras tem as suas. Acredite no seu trabalho, divulgue, aproveite todos os recursos que a modernidade vem disponibilizando. Não se deixe abalar quando surgirem críticas desfavoráveis, não é possível agradar a todos. Trate seus leitores com atenção e cordialidade, todos nós gostamos de ser bem tratados. Responda aos comentários, interaja. E sabe o que a vida me ensinou? Tudo que fazemos com motivação, dando nosso melhor, já nasce com a semente do sucesso inclusa.
O e-book Rodopios está disponível para compra na Amazon e no site da Editora Filhos do Vento.

 

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