Tristão e Isolda: cultura celta e medieval em uma trágica história de amor

Por Fernanda Sarate

Todos que se interessam sobre mitos e lendas celtas e medievais certamente já ouviram falar de Tristão e Isolda. Amplamente adaptada para o cinema, teatro e até mesmo anime japonês, a história é um clássico da literatura ocidental.

Um livro sem autor

A origem do mito é desconhecida e se perde em tempos remotos. Desde o século VII, já se conheciam histórias sobre Tristão, entretanto, se, de fato existiu um texto original, esse é desconhecido. As primeiras versões escritas que se tem conhecimento são do século XII.  Assim, a edição que lemos para essa resenha, não tem autor identificado!

Tristan-und-Isolde-01

Pintura Tristan und Isolde, Neuschwanstein, Schlafgemach des Königs, Gemälde von August Spieß, 1881.

A história

A história se passa durante a Idade Média, durante o reinado de Marcos. Tristão, que recebe esse nome de seu pai, por ter nascido em um momento triste (morte de Brancaflor, a mãe de Tristão), é sobrinho de Marcos, rei da Cornualha. Depois da morte de seus pais, Tristão resolve prestar serviços ao rei, sem que ele saiba de seu parentesco, visando a conquistar seu espaço através de seus próprios méritos. Tristão rapidamente mostra-se um valente e habilidoso guerreiro e ganha a confiança de Marcos, sobretudo depois de vencer Morholt, um guerreiro temível, e libertar jovens da Cornualha da escravidão. Entretanto, Tristão é gravemente ferido na batalha e encontra a cura na Irlanda, através dos conhecimentos de uma feiticeira, irmã do homem que Tristão venceu em batalha. Acontece que ela é a mãe de Isolda, jovem que acaba cuidando de Tristão, sem conhecer sua real identidade.

Ao regressar curado à Cornualha, Tristão atiça a inveja de alguns barões, que temem que ele se torne o herdeiro do trono do reino. Assim, os barões sugerem que Marcos se case. Ao encontrar um fio de cabelo da cor de ouro no bico de um pássaro, Marco diz que se casará apenas com a dona daquele cabelo. Tristão reconhece o cabelo como pertencente à Isolda, a Loura, e parte em busca da jovem.

Chegando à Irlanda, Tristão fica sabendo que o reino está sendo assolado por um dragão e que o rei prometeu a mão de sua filha, Isolda, ao valente que derotasse o dragão. Ao derrotar a fera, Tristão requisita a mão de Isolda, mas para o tio, Marcos. A jovem se sente rejeitada por Tristão e não se sente feliz com a ideia do casamento. Por isso, sua mãe prepara um filtro do amor, que fará com que, o casal que o beber, ame-se intensamente durante o período de três anos. Acontece que, durante a viagem entre a Irlanda e a Cornualha, a criada de Isolda, Brangia, ao perceber a relação difícil entre Isolda e Tristão, serve o filtro a eles. Imediatamente, Tristão e Isolda apaixonam-se e consumam seu amor.

Ao chegar à Cornualha, Isolda casa-se com Marcos, entretanto, continua seu caso com Tristão. Depois de muita desconfiança e intriga, o rei finalmente descobre o caso e condena-os à morte. Tristão consegue fugir e salvar sua amada e o casal passa a viver na floresta, em condições precárias, por alguns anos.

Depois de passado o efeito do filtro do amor, o casal continua apaixonado, mas Tristão acaba convencendo Isolda a reconsiliar-se com Marcos, pois não aguenta ver a amada vivendo em condições tão ruins. Marcos perdoa Isolda, mas Tristão acaba precisando afastar-se da Cornualha. O casal ainda encontra-se algumas vezes até Tristão, de fato, deixar a Cornualha e partir rumo à Pequena Bretanha, onde acaba casando-se com outra Isolda, a de mãos brancas. Tristão acaba não consumando o casamento, pois continua fiel e apaixonado pela rainha da Cornualha.

Apesar de a história já ser bastante conhecida, não vou contar o final para não estragar a descoberta de quem ainda vai lê-la. 🙂

A linguagem empregada nesta tradução é bem simples e fácil de ler. Por tratar-se de uma novela, os capítulos são curtos e estão recheados com diversos episódios engraçados e românticos. Tristão e Isolda está repleto de elementos mágicos e de referências à cultura celta.

Adaptações

Já foram realizadas diversas adaptações para o cinema, a primeira é de 1909, e a mais recente é de 2006, dirigida por Ridley Scott, Tristan & Isolde. Além disso, já foi adaptada para o teatro, ópera e ganhou uma versão em anime.

Livro: Tristão e Isolda
Autor: desconhecido
Tradutor: Maria do Anjo Braamcamp Figueiredo
Editora: Francisco Alves
Número de páginas: 255

Classificação:

zumbi_avaliacao

 

 

Trata-se de um clássico da literatura ocidental. É leitura obrigatória para quem se interessa por cultura celta e medieval. Entretanto, pode facilmente ser intercalada com outras leituras mais densas ou urgentes que você tenha.

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