Resenha: Quem é você, Alasca?

Por Fernanda Sarate

Quem é você, Alasca? é o romance de estreia de John Green. O primeiro amigo. A primeira garota. As últimas palavras.

Sendo bastante sincera e específica: até a página 136, eu não estava gostando tanto do livro. Estava com uma expectativa alta, pois havia acabado de ler Cidades de Papel, que gostei muito por suas camadas de profundidade escondidas. Não estava encontrando isso em Quem é você, Alasca?. Não estava achando o livro ruim, mas sim mais fraco do que o esperado. A trama estava lembrando tantas outras que estamos acostumados, mostrando a rotina e a transição de adolescentes americanos para a sua vida adulta e  os laços de amizade entre um grupo de amigos. Pois eis que chegamos à página 136 e… buuuuum… algo acontece. E o livro fica realmente bem interessante.

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As credenciais

Quem é você, Alasca? é o primeiro romance publicado por John Green, em 2005. E, por ele, o autor recebeu o prêmio Michael L. Printz.

O livro

O livro é narrado em primeira pessoa por Miles, um adolescente de poucos amigos que decide estudar em um colégio interno, em busca de seu “Grande Talvez”. Um detalhe: Miles adora ler biografias em busca das últimas palavras dos biografados. Foi daí que ele retirou a ideia de seu “Grande Talvez”, das últimas palavras de François Rabelais (“Saio em busca de um Grande Talvez”).

Chegando à escola, Miles conhece o seu colega de quarto, Chip, ou, como ele é conhecido, Coronel. O Coronel, prontamente decide que Miles será, agora, Gordo (por ironia, pois Miles é bastante magro). Logo seu novo amigo lhe apresenta à Alasca Young, por quem Miles, prontamente fica interessado. Alasca é bonita, inteligente, sarcástica,  sensual, luta contra a objetificação da mulher e… é problemática – a extensão desse último atributo Miles vai desvendando aos poucos.

Alasca possui em seu quarto muitos livros, ela chama este acervo de “a Biblioteca de Minha Vida”, composto por livros garimpados em vendas de garagem e que ela pretende terminar de ler quando estiver “velha e chata”, visto que, agora, ela tem outros interesses para ocupar o seu tempo. Mesmo assim, ela é fascinada por um livro em especial: O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez. Nele, conhecemos as últimas palavras de Simón Bolívar:

“Ele’ – ou seja, Simón Bolívar – ‘ estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus males e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. ‘Droga’, ele suspirou. ‘Como sairei deste labirinto?’”.

Essas últimas palavras fascinam aos dois por motivos diferentes: Miles adora últimas palavras e sabe reconhecer as “grandes últimas palavras” quando as ouve. Porém, para Alasca, elas possuem um significado mais profundo, ela busca saber o que é o labirinto – a vida, a morte ou o sofrimento? – e como escapar dele.

Um livro sem capítulos

Este é um detalhe que, de início, não dei tanta importância, mas que se mostra com um papel fundamental para a narrativa: ele não possui divisão de capítulos. Ele é dividido em duas grandes partes: “antes” e “depois”. O antes funciona como uma espécie de contagem regressiva. É no final do antes, quando eu percebi que rumo a história teria, que o livro realmente me conquistou. E, em minha opinião, é no depois que temos a parte mais reflexiva e interessante do livro. Algo acontece e isso marcará Miles para sempre. Algo trágico. Algo triste. Algo chocante.

O estilo de John Green

Assim como em seus demais livros, John Green tem a capacidade de aliar humor e delicadeza para abordar questões trágicas e com carga emocional forte. Seu texto é muito fácil de ler; a leitura é fluida. John Green é um colecionador de esquisitices interessantes (ele emprestou ao Miles seu fascínio por últimas palavras e retirou a ideia das cidades de papel de uma matéria de jornal guardada por ele, por exemplo). Seus livros sempre trazem essas coisas curiosas e abordam, assim, como quem não quer nada, verdades e questionamentos profundos de pessoas de todas as idades – embora ele as coloque nas bocas e mentes de adolescentes. Ele é aquela pessoa que te distrai com algum fato interessante ou aleatório de forma cativante enquanto arranca o band-aid de sua ferida.

Livro: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Tradutor: Rodrigo Neves
Editora: WMF Martins Fontes
Número de páginas: 229

Classificação:

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Mesmo que, de início, o envolvimento com a trama não aconteça tão prontamente, o estilo de escrita de John Green, torna a leitura rápida e fluida. E, depois de envolvido com a trama, é simplesmente o Flash pisando no acelerador! Ah, em breve, teremos a adaptação da obra para os cinemas, então, se você é do tipo que prefere ler o livro antes de ver o filme, mais um motivo para correr!

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5 comentários sobre “Resenha: Quem é você, Alasca?

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