Silo: primeiro volume de uma trilogia intrigante

Por Fernanda Sarate

Silo é um dos novos livros com elementos de distopia e de ficção científica mais empolgantes e intrigantes que li. É o primeiro volume de uma trilogia escrita por Hugh Howey e já tem seus direitos de adaptação vendidos para o cinema.

O início: como o livro surgiu

Hugh Howey levou três anos para concluir o livro, enquanto trabalhava em uma livraria. Seu primeiro passo foi publicar a série no formato de contos em e-book, (nove, no total) , por 99 centavos cada um na Amazon. Rapidamente, foi conquistando os leitores, tornando-se best-seller da Amazon, chegando a vender 10 mil cópias mensais. Com isso, várias editoras fizeram contato com o autor, que recusava as propostas, pois não gostaria de perder os lucros obtidos por meio da autopublicação. Até que, enfim, fechou contrato com a editora Simon & Schuster, que apenas publicaria seus livros impressos, permitindo que Howey permanecesse com a venda dos livros digitais.

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Sinopse

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.

Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

(Fonte: editora Intrínseca.)

Como é viver no silo

  • O silo tem 144 andares, divididos de acordo com as funções das pessoas nesta sociedade (quanto maior o cargo ou status, mais alto será o andar que se viverá).
  • Ali, pouco se sabe sobre como foi o mundo antes do silo (aliás, diz-se que “Deus criou o silo”). Como referência, sobrou pouco mais do que alguns livros infantis, que são vistos por muitos, meramente como contendo informações de um mundo fantástico (como eles não conheceram a maior parte dos animais, eles acham, por exemplo, que os elefantes são seres fantásticos e que nunca existiram).
  • A informação é controlada pela T.I, os meios de comunicação incluem entregar bilhetes por portadores ou enviar e-mails (sendo esse, utilizado para casos mais especiais, visto que há cobrança por caractere digitado! Isso para aumentar o controle da comunicação do local).
  • Desde criança se aprende que algumas coisas são proibidas no silo. Por exemplo, se você expressar desejo de sair, você é enviado para a limpeza. A limpeza é a punição máxima do local.  Ela consiste em enviar o infrator para fora, com um equipamento especial, para fazer a limpeza das lentes das câmeras que transmitem imagens do mudo exterior para o silo. Não parece tão ruim, certo? Acontece que os limpadores não têm permissão para voltar e acabam morrendo logo depois de terem concluído a limpeza.
  • Há controle populacional no silo. Os casais só podem ter filhos depois de terem sido contemplados na loteria. E a loteria só ocorre após a morte de um habitante do silo. Assim, o número de pessoas que ali vivem permanece estável.

A narrativa

O livro é narrado em terceira pessoa. Confesso que as duas primeiras partes do livro (são cinco partes) são as mais desafiantes, isso porque o autor é, realmente, bastante minucioso e detalhista. Esse é um ponto positivo para casos como esse, nos quais há criação de um modelo de sociedade específico, com regras e códigos próprios. Entretanto, em alguns momentos essas descrições desaceleram as ações que estão acontecendo. Depois que se consegue acostumar com o estilo do autor e deixar de lado a ansiedade, a leitura flui com bastante facilidade. Aviso: a partir da terceira parte, você não vai querer largar o livro, há uma necessidade de saber o que vem depois e depois e depois…

O que mais gostei

  •  Narrativa: a narrativa estabelece o seu próprio tempo, é preciso ter paciência com o nível de detalhamento apresentado nas primeiras páginas. Entretanto, a narrativa prende o leitor e a tensão o o suspense seguem em um crescente até o final do livro.
  •  Reflexão: o livro tem ação, mas a tensão é muito mais psicológica. O modo como ele mostra que as ideias são poderosas e contagiosas é bastante interessante. O cenário descrito ali realmente poderia representar o futuro da humanidade, sob vários aspectos, por isso, ele promove bastante reflexão e questionamentos.
  •  Protagonista: ao contrário de outros livros recentes desse gênero, a protagonista é uma mulher de 34 anos, longe das inseguranças da adolescência – não que as que trazem esse tipo de protagonista sejam ruins, porém a mudança traz oportunidade de se explorar com mais profundidade alguns aspectos psicológicos e comportamentais da personagem. Aliás, todas as personagens são muito bem construídas.
  • Detalhes: sim, eles atrapalham, mas também ajudam 😉 Howey nos faz realmente “ver” como é o silo subterrâneo de 144 andares. A limpeza (o destino de quem quer ir além), a loteria (controle de natalidade), a Ordem (como tudo funciona); os detalhes tornam aquela realidade possível em nossa mente.

Livro: Silo
Autor: Hugh Howey
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 512

Classificação:

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Desde que tomei conhecimento sobre o livro (na turnê da Intrínseca), sabia que eu precisava lê-lo e que ele era do “meu tipinho”. Dito e feito. Ele é do “tipinho” de todos que gostam de distopias, de ficção científica e de boas narrativas. Como, em breve, teremos a sua adaptação para o cinema, leia antes de começar a surgirem chuvas de spoilers e compre o seu antes que mude a capa – a capa original é linda e simboliza um ponto importante do livro!

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3 comentários sobre “Silo: primeiro volume de uma trilogia intrigante

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